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Lucas sabia que tinha nascido para voar.
Passava horas a olhar para os pássaros e ficava perdido no rasto dos aviões, lá longe.
Tentou magicar um milhão de asas: grandes, pequenas, com penas, de cartolina, qualquer engenhoca que realizasse o seu sonho... voar!
Sem qualquer êxito, claro.
Mas Lucas não baixava os braços. A cada Natal escrevia uma carta ao Pai Natal pedindo-lhe por favor, por favor, por favor, umas asas que voassem de verdade. Por estranho que pareça, o Pai Natal enganava-se ano após ano e dava-lhe umas asas de brincar que não serviam para nada.
Quando fez anos, depois de soprar as velas do bolo e pedir o mesmo desejo de todos os aniversários anteriores, a sua mãe disse-lhe:
— Há outras formas de voar, Lucas. E pousou-lhe um livro nas mãos.
A princípio, Lucas não percebeu, mas sentou-se no jardim e começou a ler sem demoras. E gostou tanto da história que a mãe lhe dera de presente que acabou por a ler em três tempos.
E aconteceu que, quase sem se aperceber, pegou noutro livro... e noutro... e noutro ainda...
Maravilhava-se com tudo o que descobria, aprendia ou imaginava através da leitura.
Começou a devorar livros sem parar e, quanto mais lia, mais rápido avançava. Não conseguia parar...
Cedo acabou todas as histórias das estantes da sala e também as do quarto da sua irmã.
Sem se dar conta, tinha o jardim cheeeeeeio de livros. Fez uma pilha, sentou-se em cima dela e pediu mais.
Todos lhe levavam livros: os amigos, os vizinhos, os amigos dos vizinhos...
... a professora de música, o avô e até o padeiro do bairro.
Assim, a sua montanha de livros crescia e crescia e, de repente, Lucas deixou-se ficar em cima dela, e não descia nem sequer para comer ou dormir.
A mãe, a irmã e até os bombeiros tentaram convencê-lo a descer, mas Lucas só queria continuar a ler.
Quando acabou todos os livros da cidade, começou a receber carrinhas atulhadas da biblioteca municipal.
A montanha de livros crescia e crescia, e o seu caso tornou-se tão famoso que até apareceu nas notícias.

Quando as pessoas souberam dele, chegaram de toda a parte para conhecerem a montanha de livros mais alta do mundo.
Entretanto, Lucas, alheio a tudo, lia e lia sem parar.
Cada aventura levava-o a novos países, a descobrir coisas surpreendentes sobre a história, a conhecer novas personagens ou a imaginar mundos de fantasia.
E um dia, de repente... percebeu o que a mãe quisera dizer! Que, embora não conseguisse voar, a sua imaginação fazia-o por ele.
De facto, estivera sempre nas nuvens desde o primeiro livro que lera. E, nesse momento, tentou descer da sua montanha de livros para contar à mãe.
Mas... como?
E então a sua imaginação deu-lhe asas... mais uma vez.

Rocio Bonilla
A montanha de livros mais alta do mundo
Lisboa, Jacarandá, 2018

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Comentário de Ana Rita Lopes Felismindo em 6 setembro 2021 às 23:22
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