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Um homem de poucas posses, mas estimado e respeitado na aldeia, foi convidado para jantar em casa de pessoas ricas que queriam dá-lo como exemplo de trabalho esforçado e de humildade, mas também da sua tolerância para com os desfavorecidos.
Apresentou-se o homem na casa dos anfitriões com as roupas que costumava usar todos os dias, pobres e esfiapadas, verificando que todos evitavam cumprimentá-lo, por serem tão visíveis os sinais das suas parcas posses.
Tomou então uma decisão. Foi a casa e vestiu a única peça de roupa de qualidade que possuía e que mantinha guardada para uma ocasião especial.
Deu-se então conta, ao regressar a casa dos ricos anfitriões, de que o tratamento que lhe estava reservado mudara radicalmente. Agora, desde os criados aos senhores da casa, todos se lhe dirigiam com deferência e respeito.
Quando o jantar foi servido, despiu a túnica que levava vestida sobre as roupas andrajosas e atirou-a para cima da mesa.
Encolerizado, o anfitrião perguntou-lhe na presença dos outros convidados:
— Por que ages desse modo?
— Porque percebi que a minha roupa é que recebeu as vossas atenções e cumprimentos e não eu.
Dizendo isto, dirigiu-se à porta e saiu, deixando os convivas num embaraçado silêncio.
J. J. Letria
Contos da China antiga
Porto, Ambar, 2002
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Comentário de Marta Maria (adm) em 15 janeiro 2021 às 23:18
Comentário de Margarida Maria Madruga em 15 janeiro 2021 às 20:24 Isso é antigo ou atual. Depende da situação.
A aparência não conta tanto quanto a conta bancária.
Infelizmente.
O que vale é o rótulo da garrafa e não a qualidade da cerveja.
Quantas veses é que a nossa roupa recebe a atenção dos outros, isso infelizmente já não é novidade amigo.
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