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Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita
Programa III: As Leis Morais
Ano 1 - N° 38 - 13 de Janeiro de 2008

THIAGO BERNARDES
thiago_imortal@yahoo.com.br
Curitiba, Paraná (Brasil)

Marcha do progresso e civilização

Apresentamos nesta edição o tema no 38 do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, que está sendo aqui apresentado semanalmente, de acordo com programa elaborado pela Federação Espírita Brasileira, estruturado em seis módulos e 147 temas.

Se o leitor utilizar este programa para estudo em grupo, sugerimos que as questões propostas sejam debatidas livremente antes da leitura do texto que a elas se segue.

Se destinado somente a uso por parte do leitor, pedimos que o interessado tente inicialmente responder às questões e só depois leia o texto referido. As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto abaixo.

Questões para debate

1. Como se processa o progresso da Humanidade?

2. De duas nações que hajam chegado ao ápice da escala social, qual é a mais civilizada?

3. Como, segundo o Espiritismo, podemos reconhecer se uma civilização é completa?

4. A que líder reconhecido pela História devemos o mais antigo conjunto de leis formulado na Terra?

5. Qual é na visão espírita o único meio capaz de reformar os homens e a sociedade?

Texto para leitura
A marcha do progresso é sempre ascensional

1. O progresso, para ser legítimo, não pode prescindir da elevação moral dos homens, que se haure no Evangelho. As conquistas da inteligência, embora valiosas, sem a santificação dos sentimentos conduzem ao desvario e à destruição. Para serem autênticas, as aquisições humanas devem alicerçar-se nos valores éticos, sem os quais o conhecimento se converte em vapor tóxico que culmina por aniquilar quem o detém.

2. A Humanidade progride por meio dos indivíduos que pouco a pouco se melhoram e se instruem. Quando estes preponderam em número, tomam a dianteira e arrastam os outros. De tempos em tempos surgem no seio dela homens de gênio que lhe dão um impulso. Vêm depois, como instrumentos de Deus, os que têm autoridade e, em alguns anos, fazem-na adiantar de muitos séculos.

3. A marcha do progresso é sempre ascensional, quer no campo intelectual, quer no campo moral. Mas o fato de uma nação haver progredido cientificamente mais do que outra não significa que seja moralmente mais adiantada. Civilizar quer dizer progredir, mas esse progresso nem sempre é completo. Para se chegar a um estado de civilização completa, de Humanidade moralmente evoluída, muitas conquistas deverão ser realizadas, tanto no campo moral, quanto no intelectual.
Uma civilização incompleta é um estado transitório

4. Há, pois, diferenças entre civilização completa e povos esclarecidos. Quando um povo sai do estado selvagem ou de barbárie e, por força do progresso, adquire novos conhecimentos, tem início o processo de civilização, mas essa civilização é ainda incompleta porque incompleto é seu progresso.

5. Uma civilização incompleta é um estado transitório, que gera males especiais, desconhecidos do homem no estado primitivo. Nem por isso, no entanto, constitui menos um progresso natural, necessário, que traz em si mesmo o remédio para os males que causa. À medida que a civilização se aperfeiçoa, faz cessar alguns dos males que gerou, males que desaparecem todos com o progresso moral.

6. Assim, de duas nações que hajam chegado ao ápice da escala social, somente pode considerar-se a mais civilizada, na legítima acepção do termo, aquela onde exista menos egoísmo, menos cobiça e menos orgulho; onde os hábitos sejam mais intelectuais e morais do que materiais; onde a inteligência puder desenvolver-se com maior liberdade; onde haja mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas; onde menos enraizados se mostrem os preconceitos de casta e de nascimento, porque tais preconceitos são incompatíveis com o verdadeiro amor ao próximo; onde, enfim, todo o homem de boa vontade esteja certo de não lhe faltar o necessário.
Reconhece-se uma civilização completa pelo seu desenvolvimento moral

7. Ensina o Espiritismo (L.E., item 793) que podemos reconhecer se uma civilização é completa pelo seu desenvolvimento moral. Nenhuma sociedade tem verdadeiramente o direito de dizer-se civilizada senão quando dela houver banido os vícios que a desonram e quando ali as pessoas viverem como irmãos, praticando a caridade cristã. Até que isso seja alcançado, ela será apenas um conjunto de pessoas esclarecidas, que terão percorrido a primeira fase da civilização.

8. Deve-se a Hamurabi o mais antigo conjunto de leis conhecidas pela Humanidade, em que se revela uma visão de equidade avançada para a época, quando o poder predominava sobre o direito e a supremacia do vencedor sobre o vencido constituía regra geral.

9. Posteriormente, pela necessidade de estabelecerem códigos que pudessem reger seus integrantes, ora subordinados às diretrizes religiosas, ora aos impositivos éticos sobre que colocavam suas bases, as civilizações terrenas formaram seus estatutos de justiça e ordem.

10. Dentre os primeiros moralistas, da escola ingénua, aos grandes legisladores, ressaltam as figuras de Moisés, instrumento do Decálogo, e Jesus, o excelso paradigma do amor, os quais nos facultaram os códigos que fornecem ao ser humano um roteiro seguro em sua marcha na direção da perfeição.
No futuro não haverá necessidade de leis tão rigorosas

11. Do Direito Romano aos modernos tratados, as fórmulas jurídicas têm evoluído e apresentado dispositivos e artigos cada vez mais concordes com o espírito de justiça do que com as ambições do comportamento individual e grupal.

12. A civilização criou necessidades novas para o homem, necessidades relativas à posição social que ele ocupa, e é preciso regular, por meio de leis humanas, os direitos e os deveres que daí decorrem. Quanto menos evoluída a sociedade, mais duras são as suas leis. Evidentemente, uma sociedade depravada precisa de leis severas, mas essas leis, infelizmente, mais se destinam a punir o mal do que a lhe secar a fonte.

13. Com a educação – único meio de reformar os homens – não haverá, no futuro, necessidade de leis tão rigorosas, porque o homem transformado será, não apenas o apoio dos mais fracos, mas o fiscal dos próprios atos.

Respostas às questões propostas

1. Como se processa o progresso da Humanidade? R.: A Humanidade progride por meio dos indivíduos que pouco a pouco se melhoram e se instruem. Quando estes preponderam em número, tomam a dianteira e arrastam os outros.

2. De duas nações que hajam chegado ao ápice da escala social, qual é a mais civilizada? R.: A mais civilizada, na legítima acepção do termo, é aquela onde exista menos egoísmo, menos cobiça e menos orgulho; onde os hábitos sejam mais intelectuais e morais do que materiais; onde a inteligência puder desenvolver-se com maior liberdade; onde haja mais bondade, boa-fé, benevolência e generosidade recíprocas; onde menos enraizados se mostrem os preconceitos de casta e de nascimento, porque tais preconceitos são incompatíveis com o verdadeiro amor ao próximo; onde, enfim, todo o homem de boa vontade esteja certo de não lhe faltar o necessário.

3. Como, segundo o Espiritismo, podemos reconhecer se uma civilização é completa? R.: Ensina o Espiritismo que podemos reconhecer se uma civilização é completa pelo seu desenvolvimento moral. Nenhuma sociedade tem verdadeiramente o direito de dizer-se civilizada senão quando dela houver banido os vícios que a desonram e quando ali as pessoas viverem como irmãos, praticando a caridade cristã.

4. A que líder reconhecido pela História devemos o mais antigo conjunto de leis formulado na Terra? R.: Hamurabi, o grande legislador que viveu numa época em que o poder predominava sobre o direito e a supremacia do vencedor sobre o vencido constituía regra geral.

5. Qual é na visão espírita o único meio capaz de reformar os homens e a sociedade? R.: Esse meio é a educação, que possibilitará a transformação dos homens, que então não precisarão mais de leis tão rigorosas, porque, uma vez transformado, o homem será não apenas o apoio dos mais fracos, mas o fiscal dos próprios atos.

Bibliografia:

O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, itens 789 a 797.

As Leis Morais da Vida, de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo P. Franco, item 37.
Estudos Espíritas, de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo P. Franco, págs. 87 e 88.

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