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Aziz, o jasmim e o pássaro azul

 

Como um pequeno fabricante de colares de flores vai derrubar déspotas, graças a um fio e a um pássaro azul...

Ainda não há muito tempo nem muito longe daqui, Aziz estava a matutar sentado no seu laranjal. De repente, ouve um ruído forte, como se alguém batesse com força nas paredes de casa. Intrigado, desce imediatamente da árvore.

— Que estás a fazer, Pai? — pergunta Aziz.

— Estou a pendurar os retratos na parede! — resmunga o pai segurando um prego entre os lábios.

— Mas, que retratos?

— Pois bem... de Raïd e de Dima! — responde o pai, espetando bem o prego na parede.

— Mas porquê?

— Porque sim, meu filho. Porque tem de ser…— suspira o pai.

— Mas eu não gosto deles! — protesta Aziz.

      — Eu também não, meu querido. Mas fala baixo, pode alguém ouvir-nos.

Olha a toda a volta, e acrescenta baixinho:

— No País do quarto crescente, as paredes têm ouvidos...

Aziz fixa o olhar nas duas imponentes fotografias de Raïd e de Dima, que governam o país.

Os dois soberanos lançam-lhe um olhar sombrio.

Aziz corre a recuperar fôlego. Enche os pulmões com o doce perfume do jasmim.

Toda a fachada da casa é uma imensa flor. Um jasmim que, todas as noites, Aziz colhe com Oumi, a sua mãe.

A cada raminho que lhe entrega, Oumi diz-lhe:

— Muito bem, meu filho, — e continua a ligar as flores com a ajuda de uma agulha e um fio vermelho para fazer com elas lindos colares. As flores mais abertas organiza-as em forma de chupeta, presas num bastonete.

É Aziz quem prepara os paus, juntando pequenas hastes, enrolando o fio em pequenos pedaços de madeira.

Mas Aziz não consegue esquecer os retratos de Raïd e de Dima.

Raïd e Dima dirigem o país com mão de ferro a partir de uma colina com enormes palmeiras recortadas sobre o azul do mar e do céu. O palácio está rodeado por um alto muro de mármore branco. Das ameias estreitas emergem cinco torres e três cúpulas reluzentes, cada uma delas encimada por uma lua em forma de quarto crescente.

E, no pátio interior, está exposta uma enorme gaiola branca.

É ali que são encarcerados todos os pássaros azuis do país.

— Quero que me tragam o melhor cuscuz do país, acompanhado dos legumes mais frescos, da carne mais saborosa e tudo regado com o mel mais puro das minhas terras — ordena Raïd num tom autoritário. — E não esqueçam as melancias, as tâmaras, as amêndoas e as bolachas!

— E esta manhã, que sejam apanhados muitos pássaros azuis — exige Dima, recostada no seu leito ornado de corais, pérolas e safiras.

E assim se passariam muitos dias e noites se Raïd e Dimanão exigissem cada vez mais…

...Tapetes tecidos à mão e colchas, louça em prata gravada de estrelas ou peixes, joias engastadas de âmbar amarelo e brilhos adamascados, centenas de metros de sedas, travessas e louças finamente pintadas, incenso, licores, as melhores tâmaras e sobretudo… todas as aves azuis!

Dia após dia, Aziz observa do alto da sua laranjeira como os habitantes do país vão ficando cada vez mais pequenos. Mingam a ponto de se tornarem quase invisíveis, enquanto Raïd e Dima só engordam e incham como balões!

E quando Aziz se observa, constata que também ele está minúsculo como uma semente de pinho no fundo de uma caneca de chá de menta…

Do seu leito dourado, Dima observa os homens a meterem na gaiola branca os pássaros capturados durante o dia, quando, de repente, vê que um passarinho azul se escapa! Prepara-se para correr, mas prefere continuar a comer cuscuz de uma enorme travessa.

— Não tem importância, amanhã vão apanhá-lo!

O passarinho azul voa até à casa de Aziz e pousa no parapeito da janela.

— Vamos! Chegou o momento! — chilreia através da grade.

Aziz acorda, esfrega os olhos e fica muito admirado.

— O momento? Mas o momento de quê?

— O momento, simplesmente o momento! — insiste o pássaro. — Junta depressa todo o jasmim, prende cada flor ao teu fio vermelho e trepa para as minhas costas!

Aziz e o passarinho azul sobrevoam as planícies e o lago salgado, as dunas do deserto, os pântanos e os oásis.


Sobrevoam plantações de oliveiras, palmeiras, limoeiros, campos de lentilhas e de cevada verde salpicada de papoilas deslumbrantes como diamantes vermelhos.

Voam sobre praias douradas, praças e minaretes. Passam por cima de escolas e dos souks da Medina, em direção ao palácio de Raïd e de Dima.

Todos querem seguir aquela grinalda. Aziz sente o vento quente do Sul a aquecer-lhe as costas. Tem fome e sede. Está cansado, mas agarra-se às plumas do pequeno pássaro azul que voa com todas as suas forças, deixando atrás de si uma longa e perfumada cauda de jasmim.

— Agora! — grita o pássaro azul aproximando-se do palácio.

Aziz agarra uma espada e brande-a como um valoroso cavaleiro. Depois, arregala os olhos e grita com todas as suas forças para ter mais coragem:

— Aaaaaaaaaaaaaaaaaahhhh!

Rápido como uma flecha, Aziz e o passarinho azul mergulham a pique sobre Raïd e Dima.

Tudo o que os soberanos glutões tinham pilhado aos habitantes voa desfeito em estilhaços! Tudo ziguezagueia como num gigantesco fogo-de-artifício.

 De repente, Aziz vê uma chave branca a brilhar num turbilhão de tapetes, copos e travessas. O passarinho azul evita à tangente um enorme enxame, e Aziz lá consegue agarrar a chave...

Encorajados pela multidão, Aziz e o pássaro dirigem-se para a imensa gaiola branca. Abrem a porta e põem em liberdade todos os pássaros azuis!

Felizes, os pássaros vão imediatamente espalhar a notícia:

— Toda a gente vai poder falar e respirar livremente! Crescer muito mais do que as lentilhas! Dançar como palmeiras ao vento e ondular como as nossas mais belas caligrafias…

Enquanto Aziz e o pássaro fazem piruetas por entre as estrelas, um perfume adocicado a jasmim espalha-se generosamente por todo o País do crescente da lua.

Laïla Koubaa ; Mattias De Leeuw

Aziz, le jasmin et l’oiseau bleu

Paris, Rue du Monde, 2014

(Tradução e adaptação)

Visualizações: 36

Os comentários estão fechados para esta entrada de blog

Comentário de Martinha (adm) em 17 outubro 2020 às 0:31

Adoro contos... minha imaginação voa. Senti até o cheiro do jasmim rs
Beijinhos

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